domingo, 14 de agosto de 2011

Idealizações

É...idealizações podem ser cruéis. Podem fazer com que percamos nove meses ou até mais que anos de vida. Viver idealizando alguém, alguma situação, seu marido, namorado, amigo...é perder a chance de viver a realidade ao lado desse ser. Idealizar é projetar no outro expectativas que às vezes ele não consegue suprir. É olhar para o outro de forma distorcida, querendo que ele corresponda ao nosso sonho ideal. Porém, esquecemos que o fulano é feito de carne, osso, defeitos, qualidades, medo, dúvida e toda a gama de sentimentos humanos e comuns a todos nós. Idealizar é criar um super-humano, perfeito e sem manchas.
O véu da idealização tem que cair, e, um dia, certamente cai. O vazio, então, se instala. Descobre-se que a pessoa amada não existe. Descobre-se que o objeto amado era pura e simplesmente uma projeção, uma criação falsa que não corresponde à realidade. Amava-se o objeto idealizado, não o real! A pessoa de carne e osso, por sua vez, sempre esteve ali, talvez pedindo para ser vista, e nunca foi. Talvez gritando alto seus defeitos, sem ser ouvida. Pedindo para ser amada, em sua totalidade, e não foi.
Em última instância, a idealização é uma forma de fugir da vivência real da vida. É querer viver a perfeição, é querer impor ao outro que faça parte de um mundo de fantasia. A realidade tem suas dores, dissabores, horrores...mas tudo faz parte da vida. Fugir compensa? Acho que não, senão perdemos também a parte boa do caminho.