quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Do lado de cá


Nós dois estranhos, o olhar nos une
Sim, nos reconhecemos só pelo olhar
Os seus olhos revelam todo o seu medo
Aquela parte sua que você não revela, nem sob tortura
Mas que eu descubro, só de olhar neles.
Pare, eu te conheço, amor
E conheço seus defeitos e te aceito, sim
O seu jeito de ser, assim
Contrário ao meu,
Não me assusta nada.
Vem pro lado de cá,
Vamos ter um filho, plantar nossa árvore,
Escrever um livro juntos.
Todos os sonhos do mundo juntos
Lado a lado.
Não, não tenho medo de você.
Nós seremos felizes
Eu não sei o porquê,
Mas sei que seremos.
Talvez por que ao amanhecer eu beije sua orelha,
E encoste meus pés nos seus, pra te acordar
E coloque sua música preferida, só pro dia nascer mais feliz.
Vem, larga tudo.
Vem com tudo que é seu, pro lado de cá. 




domingo, 14 de agosto de 2011

Idealizações

É...idealizações podem ser cruéis. Podem fazer com que percamos nove meses ou até mais que anos de vida. Viver idealizando alguém, alguma situação, seu marido, namorado, amigo...é perder a chance de viver a realidade ao lado desse ser. Idealizar é projetar no outro expectativas que às vezes ele não consegue suprir. É olhar para o outro de forma distorcida, querendo que ele corresponda ao nosso sonho ideal. Porém, esquecemos que o fulano é feito de carne, osso, defeitos, qualidades, medo, dúvida e toda a gama de sentimentos humanos e comuns a todos nós. Idealizar é criar um super-humano, perfeito e sem manchas.
O véu da idealização tem que cair, e, um dia, certamente cai. O vazio, então, se instala. Descobre-se que a pessoa amada não existe. Descobre-se que o objeto amado era pura e simplesmente uma projeção, uma criação falsa que não corresponde à realidade. Amava-se o objeto idealizado, não o real! A pessoa de carne e osso, por sua vez, sempre esteve ali, talvez pedindo para ser vista, e nunca foi. Talvez gritando alto seus defeitos, sem ser ouvida. Pedindo para ser amada, em sua totalidade, e não foi.
Em última instância, a idealização é uma forma de fugir da vivência real da vida. É querer viver a perfeição, é querer impor ao outro que faça parte de um mundo de fantasia. A realidade tem suas dores, dissabores, horrores...mas tudo faz parte da vida. Fugir compensa? Acho que não, senão perdemos também a parte boa do caminho.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Cuidar da Dor

Quando perco alguém, a sensação é de vazio. Isso só acontece comigo? Não, isso acontece com muitas pessoas. Bobagem fingir que está tudo bem,não é? Sim,é bobagem.Mas eu já fingi durante muitos dias, até alguns dias atrás.
Eu gritei alto, para que eu mesma pudesse ouvir, o quanto a pessoa não iria fazer falta, o quanto eu era superior àquela ausência, o quanto eu poderia viver bem, mesmo sem ele. Mas não adiantou nada. Querer pular os dias de vazio, querer anular os dias de dor de cutuvelo só me fez mal.
A dor existe, é real, e não há como querer pular etapas. É preciso até mesmo viver a dor, respeitando nosso próprio ritmo, para que ela se transforme, numa fase seguinte, em novos sentimentos. Assim, a dor se transmuta, aos poucos, em esperança, em alegria, em amor.
Não permitir a mim mesma que eu sofra é uma falta de respeito próprio absurda! É querer impor a mim uma condição que não é humana; é negar que somos atravessados, durante a dança da vida, por dissabores, lágrimas e dores. A vida não é só feita de alegrias e nem deve ser. Imagino como seria uma vida só de sorrisos: uma chatice e tédio sem fim. A sucessão de eventos de harmonia e desarmonia, choros e risos, abraços e despedidas, chegadas e partidas é que compõe o milagre da vida.
Apesar de saber que a dor é parte inerente do caminho, às vezes nos sentimos frágeis quando ela se apresenta à nossa frente. Devo aceitá-la, não no sentido de imergir nela, mas sim deixando de me revoltar contra as perdas e adversidades.Mentir pra mim mesma é deixar de aproveitar a chance de me fortalecer para a próxima etapa. Dizer que não há nada doendo, que não há nada incomodando, que está tudo azul é imaturidade.
Como diria Guimarães Rosa, 'a vida quer da gente é coragem'. Cuidar de mim mesma é mais difícil que cuidar dos outros. Mas como cuidar dos outros se a pessoa não sabe nem mesmo cuidar de si? Talvez a dor me reaproxime de mim e me ensine a arte do cuidar. Primeiro, cuidar de mim.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Caminhos Novos

Quando uma nova etapa em nossa vida se inicia, muitos pensamentos e sentimentos surgem. Em alguns dias, sinto-me uma super-heroína, capaz de realizar todos os planos que eu fizer, capaz de driblar todos os limites da minha existência. De maneira contraditória, há dias em que me sinto pequena diante das mudanças.É como se eu olhasse para o novo caminho a ser trilhado e sentisse preguiça! Desânimo de andar mesmo.
Cada dia tem sido, por si só, bem diferente. Ser realista é necessário nestas horas, já que pular etapas não é uma construção só de sorrisos. A angústia nos acompanha diariamente, também. Esta tarefa de reconhecer os recursos que temos para continuar andando, reprogramar nossos pensamentos, mudar de foco, cuidar de nós mesmas, voltar a sorrir pra vida, reclamar o menos possível...é algo árduo, sim. Mas é algo possível!
Tenho acordado todos os dias e, mesmo que não esteja muito animada, tenho sido meu próprio apoio para levantar da cama. Os meus objetivos estão retornando ao foco: eu!
É estranho falar em recomeço. Acho que vou substituir essa palavra por reencontro. Sim, este momento que vivo é o meu reencontro comigo mesma, meus sentimentos, meus projetos deixados um pouco de lado, meus desejos mais pulsantes.
O caminho pela frente é longo, eu sei.Mas quem disse que viver é fácil?

Amor-a-mim

Um pé à frente do outro,
Agora ando com cautela.
Não preciso mais ter pressa,
Eu não corro mais de mim.
Se eu não corro, é porque eu me acompanho
Me abraço e me beijo,
Me toco e me entendo.
O amor que compartilho nasceu novo,
Foi chegando tão puro e no silêncio,
Sem gritos aos ouvidos, nem alardes,
Meu amor por mim mesma há de durar.

domingo, 12 de junho de 2011

Casa comigo?

Eu? Casar com você...? Mas, quando?
Ah, eu te amo tanto, por mim podemos nos casar hoje mesmo.
Mas hoje não daria tempo de preparar tudo.
Tudo o que..só precisamos do nosso amor.
Mas, e a festa, os convidados, o vestido?
Nada disso é necessário.Prefiro você nua.
Engraçadinho, você sabe que não dá pra casar assim, de repente.
Por que não? Só preciso do seu sim.Você quer?
Ah, mas não é só querer...
Não?Achei que fosse simples, só você dizer sim.Que importam os outros?
É...os outros não importam muito.
Então, aceita?
Não sei.
Tem dúvidas ainda?Não me ama o suficiente,né?
Não é isso, eu te amo, sim.Só que seus defeitos me incomodam...
Vai brigar comigo por causa dos meus defeitos, justo hoje? Acho que não devemos nos casar mesmo,não. Se me amasse, não teria dúvidas.
Espere, me ouça. Eu gosto tanto de você que não quero lhe perder. E se casarmos e não formos felizes? Eu não terei mais você. Prefiro continuar perto de você, assim, como estamos. O que um título de marido mudaria?
Quem ama de verdade, quer um dia juntar as escovas de dente e jurar que viverá pra sempre junto.
Onde está escrito isso?É regra pra humanidade inteira?Todo mundo que ama tem que casar?
Nossa, até meu pedido de casamento vira briga...
Não, a sua vontade de que nossa vida siga padrões é que estraga tudo.Por que não podemos somente ficar juntos, e pronto?
-( Silêncio reina...)
Ah, quer saber? Desisto de discutir com você.
Não, não desista. Eu quero você o resto da vida comigo. Mas casar hoje, eu não caso!

* E foram felizes, até não sei quando.