quinta-feira, 28 de julho de 2011

Cuidar da Dor

Quando perco alguém, a sensação é de vazio. Isso só acontece comigo? Não, isso acontece com muitas pessoas. Bobagem fingir que está tudo bem,não é? Sim,é bobagem.Mas eu já fingi durante muitos dias, até alguns dias atrás.
Eu gritei alto, para que eu mesma pudesse ouvir, o quanto a pessoa não iria fazer falta, o quanto eu era superior àquela ausência, o quanto eu poderia viver bem, mesmo sem ele. Mas não adiantou nada. Querer pular os dias de vazio, querer anular os dias de dor de cutuvelo só me fez mal.
A dor existe, é real, e não há como querer pular etapas. É preciso até mesmo viver a dor, respeitando nosso próprio ritmo, para que ela se transforme, numa fase seguinte, em novos sentimentos. Assim, a dor se transmuta, aos poucos, em esperança, em alegria, em amor.
Não permitir a mim mesma que eu sofra é uma falta de respeito próprio absurda! É querer impor a mim uma condição que não é humana; é negar que somos atravessados, durante a dança da vida, por dissabores, lágrimas e dores. A vida não é só feita de alegrias e nem deve ser. Imagino como seria uma vida só de sorrisos: uma chatice e tédio sem fim. A sucessão de eventos de harmonia e desarmonia, choros e risos, abraços e despedidas, chegadas e partidas é que compõe o milagre da vida.
Apesar de saber que a dor é parte inerente do caminho, às vezes nos sentimos frágeis quando ela se apresenta à nossa frente. Devo aceitá-la, não no sentido de imergir nela, mas sim deixando de me revoltar contra as perdas e adversidades.Mentir pra mim mesma é deixar de aproveitar a chance de me fortalecer para a próxima etapa. Dizer que não há nada doendo, que não há nada incomodando, que está tudo azul é imaturidade.
Como diria Guimarães Rosa, 'a vida quer da gente é coragem'. Cuidar de mim mesma é mais difícil que cuidar dos outros. Mas como cuidar dos outros se a pessoa não sabe nem mesmo cuidar de si? Talvez a dor me reaproxime de mim e me ensine a arte do cuidar. Primeiro, cuidar de mim.

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