sexta-feira, 20 de maio de 2011

Metade Da História Dos Dois.

Ela decidiu não se apaixonar naquele dia.
Saiu produzida, escovada e com rímel.
O salto, que há muitos dias não usava, também saiu de casa.
Como manda o script, ele veio buscá-la.
Ele tinha um rosto normal,até aqui nada de espetacular.
Ela pensava estar imune a sentir,
Ele seria apenas uma companhia agradável,
Sem esperanças de outros encontros.
Não se sabe o porquê, mas quando ele começou a falar,
Algo parecia familiar, conhecido, próximo da alma dela.
Mesmo falando de passado, de histórias de amor da adolescência,
Assuntos que ela não esperava ouvir;
Mesmo assim ela queria estar ali, ouvindo-o,interagindo com ele.
O bar estava cheio, mas a moça só enxergava o moço
Parecia que só havia os dois, ali, sentados.
Algumas cervejas, algumas mudanças de assunto,
Mas que importa o conteúdo dos assuntos, agora?
O que importa é que algo nele soou importante pra ela.
Fez sentido.
E, na despedida, à porta de casa, ela não esperava um beijo
Mas este beijo ocorreu: esplêndido, perfeito.
Logo após os lábios se separarem, uma música para os ouvidos dela:
“Vamos nos ver amanhã novamente? Ir à praça do papa?”
Para ela, parecia um sonho,
E claro, ela aceitou.
O que houve com a moça?Cadê os planos de ficar sozinha, de não se apaixonar?
Os planos sumiram, juntamente com aquela noite.
Ela sobe as escadas numa felicidade infantil, incontida
Tão enorme que a faz pular de alegria, feito menina.
E no dia seguinte, quando se encontram, a sensação é a de que  já se conheciam há anos.
Falavam sobre tudo, deitados na grama, olhando o horizonte da cidade.
Uma paz no coração, entre beijos e palavras doces, fazia-se presente.
Tudo era lindo.
Um dia, foi-se embora a beleza de tudo.
Hoje, moço e moça dizem não saber o porquê do fim
Mas eu acho que sei, sim.
Faltou coragem,
Coragem pra juntar as almas
Pra abrir os olhos,
Pra enxergar o riso
Pra deixar o medo do lado de fora
Pra entender que o amor não tem hora
E que quebra nossas decisões.
Cadê os dois?
Devem estar perdidos por aí.

Um comentário:

  1. Queria poder saber como expressar o que senti. Incrível. Mágico. Inexplicável ... Era uma vez [...]

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